terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

ANA XXIII

com estes versos
abandono-me de ti

descanse em paz, aninha
eu vou também na paz
fazendo a minha vida

estou em paz
preenchendo-me sozinha
obrigada pelo melhor amor
que - por enquanto - já tive na vida

que teu mundo seja pleno
e que se for preciso: nos esbarremos
só pra ser feliz
lembrando do passado

durma bem, ana
no cemitério do meu coração

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

ANA XXII

Que você sorria como eu
Sempre que ler ou ouvir
A palavra "tchéca"!

Que a gente sorria
feito quando dormíamos
No chão da sua sala
Dormir pra quê?!
Não temos pressa

Que o Morro das Pedras
Sorria também
Porque começamos lá
E ainda te quero bem

Que a Lua cresça
E a gente amadureça
Sorrindo com ela
Brilhante também

ANA XXI

Mas o que aconteceu?
Meus poemas não são meus
Perdi meu mundo
na cauda do piano teu

Será que foi engano?
Alimentar-me com teus planos
Viver dos sonhos teus

Será que eu não deveria?
Beber comer tua poesia
Preencher-me de você?

Ai. E agora?
Que devo fazer?
Se até num espirro
Meu ar é pra você

ANA XX

Toda forma de Amor é poesia
Toda forma de saber beira Alquimia
Todo momento do meu dia beira você

Eu e tu naquele dia
De mãos dadas percorríamos
Na beleza de poder ser

Quem me vê assim do teu lado
Não precisa de atestado
Sou só tua até morrer

Não importam os conhecidos
Por você ando sorrindo
Quase sempre sem porquê

Ouça, ana
Nossa primeira Parada juntas
Jamais vou esquecer

Não precisa de firulas
Só tua presença junto a minha
Que a vida vai tratar de socorrer
O meu mundo junto ao teu
O meu passo rumo ao teu
E o teu sorriso
De iluminar qualquer breu

ANA XIX

Deixa eu te dar um bolo
de beijinho
Cobrir todo o seu corpinho
De glace tal qual o branquinho
Que existe em você

Beijinho até nas vistas
Nas tuas mãos de pianista
Nas tuas coxas de artista
No teu dançar
Que só me faz entorpecer

Aceita de bom grado
Que para mim o açúcar é sagrado
Extraído e refinado
Nas minhas dunas de você

ANA XVIII

Você leu o que esse povo anda falando?
Vícios viciados
Heroína cocaína coca-cola

Mal sabem eles
Por um beijo teu
Peço até esmola

Desisto do Teatro
Vou vender bolas
Esqueço das flores
Usarei rosa

Por um beijo seu, neném
Largo até a Cevada!
O cabelo cacheado
Os vestidos rodados
Vou descalço até a Escócia.

ANA XVII

Quando não tínhamos casa
Eu morava no teu colo
Tu nos meus lábios
Cazuza no rádio
nos seguia

Quando a noite chegava
Tu lamentava
A gente corria
Por teus lábios
Ou por minha língua

A hora da partida se dava
Mas a gente sorria
Te encontro antes de dormir - dizia
Você aí na sua casa
A gente na poesia.