sexta-feira, 2 de agosto de 2013

ANA IX: carta à Ana Mingau.

Florianópolis, 02 de agosto de 2013.  (FAED – Serviços Gerais)

Na verdade eu nem sei o que escrever. certamente vou continuar sem saber. quem sabe algo surja... mas o fato óbvio é que estou pensando em você e escrevendo sobre a gente. Potinho-de-Açúcar, apavora-me dizer tal coisa, mas é necessário: não sei lidar com tamanha vontade involuntária e indeterminada de tê-la. sei que a vontade é de você, mas mesmo assim continua sem fazer sentido algum. você é minha. eu sou sua. a gente, nóis somos indubitavelmente uma da outra. mas. mas... NÃO É O SUFICIENTE. não me preenche completamente. tenho necessidade de dormir e acordar com você.

uma das piores maldades causadas pelo cérebro é o hormônio responsável pela angústia. falávamos sobre isto na aula de Interpretação IV: alguém que tem extrema aversão a altura e está presa em um penhasco: ela se joga rumo ao precipício. não suporta a pressão, a angústia. simplesmente acaba com a sensação destruidora.
também eu sinto assim. Sufocada. Amarrada. Adoecida. Inerte. Vã. Mortal. Morta.

“Hormônios Cerebrais chamados neurormônios são responsáveis pela angústia, melancolia ou coração apertado”.

meu cérebro - indefeso e burro – pede para que eu sinta outra coisa. algo com o qual ele saiba lidar. meu corpo desanda. minhas nuvens trovoam. meus olhos vomitam. meu estômago chora. procuro raiva e sinto. procuro ciúmes e me sufoco. encontro a vertigem e adoeço. cuspo tudo e morro. guardo tudo e asfixio. depois de tornar meu travesseiro uma esponja: adormeço, esqueço e acordo
amarga.

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